Você fala o que pensa, ou só é grossa mesmo?

Já batendo com a minha cabeça na parede, para que algum assunto interessante surgisse,  e me deparei com mais um assunto que fui buscar internamente, dentro das minhas (inúmeras e nem sempre interessante) histórias.

Desde que me conheço, sempre fui o tipo de pessoa que ria de tudo, inclusive dos meu defeitos. Por ser sempre baixinha, bem cabeluda, e dentuça, sofria na escola o que hoje seria considerado bullying, mas eu sempre estava disposta a revidar. Como não tinha tamanho e força para bater nos oponentes, usava a estratégia de: junte-se a eles e os exponha ao ridículo também.

Toda vez que aquele círculo de crianças se juntavam e começavam a tirar sarro de mim, eu ria junto e logo apontava os defeitos deles também, tudo em um timing certo, afinal, se perdesse o timing, eu seria apenas ridícula! Então, na falta de argumentos, eu apenas ria e me esforçava para não me importar, me esforçava para achar graça, então, logo eles paravam, afinal, eu não estavam me incomodando.

Com o passar do tempo me tornei especialista em não me importar com o que as pessoas achavam de mim. Em casa, meu pai me dava a total liberdade de tirar sarro dele e vice-versa. Minha mãe, não era daquelas que ficavam: “Aiii filha, como você é linda.” Ela era realista, ela deveria me achar linda no seu conceito de mãe (ou não!), mas ela não me iludia, afinal, ela não era cega.

Creio que depois disso eu me tornei uma pessoa que sempre dizia tudo o que pensava, não me importava se a minha opinião te ofendesse ou não. Mas, quando todos já estavam acostumados comigo, não fazia muita diferença.

Quando me mudei para São Paulo e passei os 3 primeiros meses dividindo uma casa com 9 pessoas, em um treinamento de uma empresa aérea, eu me deparei com outro problema: eu era uma pessoa de opinião? ou apenas uma grossa?

Lembro-me que tinha uma forte amizade com 4 meninas e uma delas, uma curitibana maravilhosa, que vivia me alertando:

-Guria, o problema não esta em dizer o que pensa, o problema esta em como você diz o que pensa.

Ela tentava me dizer uma coisa, mas eu não me importava, até que um dia, em uma das palestras que assistíamos na empresa, uma em especial, explicou exatamente o que ela tentava me dizer e levarei estas frases para sempre comigo:

“Existe uma linha muito tênue entre dizer o que pensa e ser rude. “

“O óbvio não existe! Afinal, como você pode garantir que, o que é óbvio para você é óbvio para todas as outras pessoas?”

“Uma maneira de evitar ser “grosso”, é tentar praticar a empatia, se colocar no lugar das pessoas, tentar entender pelo que estão passando naquele momento, se não for possível, o silêncio basta.”

Certo, era uma companhia que visava o atendimento de primeira classe! Que não gostaria de ver seus funcionários batendo boca com os clientes, mas veja bem, aquilo me abriu os olhos para o que minha amiga queria me dizer:

“Guria, você vira os olhos quando te pergunto as coisas, porque você já ta cansada de saber disso, mas eu não, eu ainda não sei!”.

“Guria, o seu problema não é no que você diz, é em como você diz”.

“Guria, você diz isso, porque nunca passou por isso”.

Ah lá, três coisas das quais ela tentava me abrir os olhos e eu não tinha entendido, mas precisou de uma palestra bem elaborada para que eu entendesse exatamente o que ela estava falando. Confesso que não foi assim, na hora, ainda estou tentando pôr prática.

Hoje em dia, com as mídias sociais, ta bem fácil se dizer o que pensa, ou pior: comentar nas publicações alheias sem se importar com o que outras pessoas vão achar e creio que a tendência é piorar.

Estamos perdendo a noção do: “será que o que vou dizer será melhor do que ficar na minha?“. Estamos atrás de um computador, celular, dizendo o que queremos, esquecendo que algumas amizades, uma vez cultivada pessoalmente, estão de desfazendo por opiniões diferentes, onde ninguém consegue finalizar com um: “Acho que isso não vai nos levar em lugar algum, discordo de você, mas te amo… boDSC_0378ra tomar uma?“. Tá fácil compartilhar o ódio e difícil de se manter calado.

Enfim, só queria dividir com vocês a questão: Eu digo o que penso, ou sou apenas grossa?

E pra quem respondeu: “Você é só grossa” Vão à merda! Mesmo discordando, te amo… Bora tomar uma, véias?

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