A vida e suas fantásticas lições!

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Primeiro dia de aula no curso de enfermagem. E a expectativa era grande. Adquirir conhecimento, conhecer pessoas, amigos novos, paqueras novos..
E lá fui eu no meu estilo travesti. Montada na make e num salto maior ainda. Era meu estilo, nunca tive intenção de incomodar ninguém…mas incomodava. ( Claro que fui saber disso bem depois).
Sala cheia, a aula ja havia começado, (nunca fui muito pontual, admito) e pra ajudar só havia uma carteira, adivinha onde? Do outro lado da sala, claro!
Não me restou outra alternativa, a não ser atravessar a sala num sonoro toc-toc emitido pelos meus queridos saltos.
E lá daquele lado, havia uma pessoa que não ia com minha cara. Que posteriormente me contou, que quando me viu atravessar a sala me xingou em pensamento. Essas foram as palavras dela: “Não acredito que essa insuportável, cara de bosta vai estudar comigo!” O detalhe? Nem sabia que ela existia.
Ééé.. isso mesmo, o tal do preconceito! Não…Não tô falando de raça, cor, classe social ou coisas desse tipo.. estou falando da palavra em si: Pré conceito. Do ato de “Conceituar Precipitadamente”. O que a gente costuma chamar de: julgar pela aparência. Nosso grande erro.
Alguns dias se passaram, conheci pessoas encantadoras, mas eu continuava (sem saber) incomodando uma pessoa em especial. Aquela que comentei no início.
Mas como a vida gosta de dar umas lições de vez em sempre, vou contar o que aconteceu.
Aula de psicologia, a professora era simplesmente incrível! Ela pediu pra que se formassem grupos com pessoas que não tivéssemos criado algum vínculo ainda, pra falar um pouco da experiência de vida de cada um. Algo que houvesse marcado nossas vidas. Um desabafo, ou algo do gênero.
Formamos o grupo dos desconhecidos e adivinhem só quem a vida se encarregou de por no meu grupo? A moça que não ia com a minha cara e que eu não fazia idéia disso. E como eu quase nunca me preocupo com isso, ainda não havia notado sua frieza para com a minha pessoa.
E lá fomos nós, falar um pouco de nossas vidas.
Saldo final da aula de psicologia: Um chororô digno de novela mexicana.
E a história da moça-que-não-ia-com-a minha-cara me tocou de um modo especial, ela estava passando por uma fase muito difícil, e eu manteiga derretida que sou, (sim,eu só finjo ser durona, mas quem realmente me conhece sabe que eu tenho um coração) anotei os nomes (o dela era Rita) e telefones dos integrantes do grupo e voltei pra casa pensando num modo de fazer com que o dia seguinte da Rita fosse menos triste, sei lá, deu vontade. Mas ainda não sabia que ela não me suportava.
No dia seguinte, liguei numa agência de mensagens, na época fazia um sucesso danado! Era aniversário de alguém? Tele mensagens! Dia das mães? Tele mensagens! Brigou com o namorado e se arrependeu? Tele mensagens! Funcionava que era uma beleza.
Mas o meu objetivo naquele dia, era só deixar alguém que eu nem conhecia direito, menos triste. Passei um tempão escolhendo a mensagem…ouvi várias. Liguei pra várias agências de tele mensagens, até ouvir uma que realmente iria melhorar o dia dela. Palavras que fariam alguma diferença, que pudessem lhe dar alguma esperança de que as coisas iriam melhorar. Pedi que a mandasse em meu nome. Pronto! Me sentia feliz. Essa é grande sacada! Deixar alguém feliz automaticamente te deixa feliz também.
A noite fui pra aula, esperava sim que ela viesse agradecer pela mensagem e tal, mas foi muito mais que isso.
Ela chegou em mim e disse:
– Você é “uma filha da puta”mesmo!
Com os olhos cheios de lágrimas.
Levei um susto! Mas logo percebi que ela estava me xingando de um modo ” carinhoso”, porque inconscientemente eu havia destruido a concepção que ela havia criado em relação a mim por tantos anos.
Então ela me contou, que já me “conhecia” anos atrás, pois ela morava na rua da minha tia, e eu sempre estava na casa da minha tia, consequentemente ela sempre me via passando na frente da sua casa. E eu ao contrário, nunca havia reparado nela.
Não vou negar que tenho cara de cú, ou de bosta, como vocês preferirem, mas quem nunca aqui foi taxada de cara de bosta? E nem por isso são chatas. Certo? O que vale é a opinião da maioria! Rs.
Pois é! Foi aí que a vida se encarregou de pregar uma peça! ( na Rita dessa vez)
Ela estava inconformada e ao mesmo tempo emocionada, quem diria que aquela menina metida a besta, a pessoa que ela menos gostava da sala toda, seria a pessoa disposta a melhorar o seu dia? E ela contou com todos os detalhes o que ela pensava de mim todos aqueles.anos. Confesso que não era nada bom.
Eu já estava feliz, mas aquela revelação pra mim foi o auge! Foram tantos abraços misturados com lágrimas e naquele momento foi criado um laço de amizade mais que especial. Uma amizade repleta de confidências e reciprocidade. Ela se tornou uma amiga e tanto, minha melhor companhia durante todo o curso.
E isso foi há tanto tempo, mas toda vez que conto essa história ainda me emociono. Foi tanto aprendizado num dia! Caramba como a vida surpreende né? Eu adoro isso!
E essa foi mais uma lição da vida.
Que independente do seu estilo, se você é hippie, casual, patricinha, chique, ou cara de bosta ( no meu caso), isso pouco importa, a gente tem que aprender que bonito mesmo é o que você carrega dentro do seu coração.
O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.
E ai? Ainda preocupados em julgar pela aparência?

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